terça-feira, 27 de junho de 2017

Quinta-feira, 3 de fevereiro de 1944

       




Querida Kitty


Sobe a febre de invasão neste país, diariamente. Se você estivesse aqui, por um lado haveria de sentir-se, como eu, afetada pelos preparativos, mas por outro talvez risse da gente ao ver tanto barulho talvez por nada.
Os jornais só falam da invasão e acabam assustando as pessoas, dizendo que, "em caso de invasão britânica, os alemães farão tudo para defender o país; se necessário, recorrerão à inundação". Publicam mapas indicando quais as partes da Holanda que serão submergidas. Como grande parte de Amsterdam está incluída nos planos de inundação, a primeira pergunta é: — Que faremos se a água, nas ruas, subir a um metro? — As respostas, dadas por pessoas diferentes, variam consideravelmente.
— Sendo impossível andar a pé ou de bicicleta, teremos que vadear através da água estagnada.
— Claro que não. Tentaremos nadar. Vestiremos roupas de banho, usaremos toucas e nadaremos debaixo d'água tanto quanto possível, para que ninguém descubra que somos judeus.
— Ora, que tolice! Pagava para ver as senhoras nadando e os ratos mordendo-lhes as pernas!
É claro que quem disse isto foi um homem! Cada qual gritava mais do que o outro...
— Nem conseguiríamos sair de casa. Com uma inundação, o depósito desabaria; já não está muito firme a seco...
— Olhe aqui, gente. Fora de brincadeira, vamos tratar de arranjar um barco.
— Para quê? Tenho uma idéia melhor: cada um pega um caixote de madeira e sai remando com uma colher de pau!
— Eu vou andar de pernas de pau. Era craque, quando moço.
— Henk van Santen não vai precisar. Pode carregar a mulher nas costas e será ela quem ficará de pernas de pau.
Isto já lhe dá uma vaga idéia, não dá, Kit?
A conversa parece muito engraçada, mas na verdade não é. Quanto à invasão, havia ainda um ponto a discutir: — Que faremos, caso os alemães evacuem Amsterdam?
— Deixaremos também a cidade, disfarçando-nos o melhor que pudermos.
— Não saiam. Aconteça o que acontecer, fiquem firmes. O mais seguro é permanecer aqui. Os alemães são bem capazes de tocar a população para a Alemanha, onde todos morrerão, na certa.
— Sim, claro que ficaremos, uma vez que este é o lugar mais seguro. Tentaremos trazer Koophuis e a família para viver aqui conosco. Vamos tentar arranjar alguns sacos e dormiremos no chão. Pediremos a Miep e a Koophuis que comecem a trazer cobertores.
— Vamos pedir mais algum fubá para acrescentar aos trinta quilos que já temos. Vamos ver se Henk obtém mais ervilha e feijão; no momento, temos em casa trinta quilos de feijão e cinco de ervilha, sem contar as cinqüenta latas de legumes.
— Mamãe, verifique nosso estoque de alimentos, por favor.
— Dez latas de peixe, quarenta de leite, dez quilos de leite em pó, três garrafas de óleo, quatro potes de manteiga, quatro potes de carne em conserva, dois vidros grandes de morangos, dois de framboesas, vinte vidros de conservas de tomates, cinco quilos de aveia, quatro quilos de arroz; é tudo.
— Nosso estoque não é mau, mas se tivermos de contar com eventuais visitas e com o que se tira semanalmente dessas reservas, chega-se à conclusão de que ela não é tão grande assim. Possuímos suficiente carvão e lenha; velas, também. Vamos fazer saquinhos para carregar dinheiro, fáceis de esconder na roupa, no caso de precisarmos levá-lo conosco.
— Faremos listas das principais coisas a levar em caso de emergência; melhor deixarmos as mochilas prontas desde já. Se as coisas chegarem a esse ponto, poremos duas pessoas de vigia no sótão, uma na parte da frente e outra na de trás. Mas, afinal, de que adianta armazenar tanta comida se nos faltará gás, água ou eletricidade?
— Nesse caso teremos de cozinhar na estufa e filtrar ou ferver a água. Lavaremos alguns garrafões e neles conservaremos a água.
Só se fala nisso o dia inteiro: invasão e mais invasão, discussões sobre fome, morte, bombas, extintores de incêndio, sacos de dormir, pessoas que ajudam os judeus, gases venenosos, etc, etc. Nada que seja alegre. Os homens do Anexo Secreto fazem advertências de brutal clareza. Vou dar como exemplo esta conversa com Henk:
Anexo Secreto: Receamos que, na retirada, os alemães levem consigo toda a população.
Henk: Impossível. Não possuem trens em número suficiente.
A. S.: Trens? E por que acha que poriam civis em trens? Que gastem as solas dos sapatos! (Per pedes apostolorum, como diz Dussel.)
H: Não acredito em nada disso. Vocês só enxergam o lado preto das coisas. Por que haveriam de levar todos os civis?
A. S.: Você não sabia que Goebbels disse: "Se tivermos de sair, bateremos atrás de nós as portas de todos os países ocupados"? H.: Já disseram tanta coisa!
A. S.: Você acha que os alemães não farão isso, que são por demais humanos? O que eles pensam é o seguinte: "Se tivermos que cair, arrastaremos conosco todos os que estiverem sob as nossas garras".
H.: Ora, vá contar isso aos marines. Não creio nisso.
A. S.: É sempre a mesma cantilena; ninguém vê o perigo se aproximar, só percebe quando não há mais remédio.
H.: Mas você não sabe nada com certeza; são apenas suposições.
A. S.: Nós próprios já passamos por essas coisas, primeiro na Alemanha e depois aqui. O que estará acontecendo na Rússia?
H.: Os ingleses e russos devem exagerar as coisas para fins de propaganda, tal como fazem os alemães.
A. S.: Negativo! Os ingleses sempre disseram a verdade, no rádio. E, mesmo que tenham exagerado, não são os fatos suficientemente ruins? Pode-se negar que, na Polônia e na Rússia, foram sumariamente assassinados ou levados às câmaras de gás milhões de criaturas amantes da paz?
Não vou cansar você com outros exemplos de conversas como estas; quanto a mim, fico quieta e não me ligo muito em toda essa agitação. Cheguei ao ponto em que tanto faz viver ou morrer. O mundo continuará a girar sem mim. O que tem de acontecer, acontece, e, de qualquer forma, de nada adianta tentar resistir.
Confio na sorte e só faço trabalhar, esperando que tudo acabe bem.

Sua Anne.








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