terça-feira, 27 de junho de 2017

Quarta-feira, 5 de janeiro de 1944

       


Querida Kitty


Hoje tenho duas coisas para confessar a você, o que vai levar muito tempo. Mas tenho de contar a alguém, e você é a pessoa ideal, pois, aconteça o que acontecer, sei que guardará segredo.
A primeira coisa é sobre mamãe. Você sabe o quanto eu já me queixei a respeito de mamãe, embora sempre procurando ser boa para ela, novamente. Agora, de repente, ficou claro para mim o que é que lhe falta. Foi a própria mamãe quem nos disse, uma vez, que nos considerava mais como amigas do que como filhas. Ora, isso pode ser muito bonito, mas a verdade é que amiga não pode nunca tomar o lugar de mãe. Preciso de uma mãe como um exemplo a seguir e respeitar. Tenho a impressão de que Margot pensa de outra maneira e jamais entenderia o que acabo de dizer. Quanto a papai, evita discussões a respeito de mamãe.
Imagino que uma mãe deve, em primeiro lugar, ter muito tato em relação a seus filhos, quando estes chegam à minha idade, e não deve rir de mim quando choro — não de dor, mas por outros motivos —, como Mums costuma fazer.
Uma coisa que nunca lhe perdoei aconteceu num dia em que tive de ir ao dentista. Mamãe e Margot iam comigo e concordaram em que eu fosse de bicicleta. Ao sairmos do dentista, mamãe e Margot disseram que iam à cidade a fim de ver ou comprar alguma coisa, não me lembro mais o quê. Eu quis ir também, mas não deixaram, pois eu estava de bicicleta. Lágrimas de raiva saltaram dos meus olhos enquanto Margot e mamãe puseram-se a rir de mim. Fiquei tão furiosa que lhes mostrei a língua, ali mesmo, na rua, à vista de uma senhora idosa que passava e que ficou escandalizada! Voltei para casa sozinha, de bicicleta, e lembrome de que chorei durante um bom tempo.
É estranho que a ferida aberta por mamãe ainda doa quando me lembro da raiva que senti naquela tarde.
A segunda coisa é muito difícil de dizer porque é sobre mim mesma.
Ontem li um artigo de Sis Heyster sobre pessoas que enrubescem. Esse artigo parece ter sido dirigido a mim, pessoalmente. Embora não core com facilidade, todo o resto me servia sob medida. Em resumo, era mais ou menos isto: que uma jovem, nos anos da puberdade, fica mais calada e introspectiva, pensando nas coisas maravilhosas que estão acontecendo com seu corpo.
Sinto isso também, e talvez seja esse o motivo pelo qual, ultimamente, me sinto embaraçada com respeito a Margot, mamãe e papai. Engraçado, Margot, que é muito mais tímida que eu, parece não ter nenhum problema a esse respeito.
Acho que o que me está acontecendo é tão maravilhoso, não apenas as transformações que se podem ver em meu corpo, mas principalmente o que está acontecendo dentro de mim! Nunca falo com ninguém sobre essas coisas, por isso tenho de falar delas comigo mesma.
Cada vez que fico menstruada — e isso só aconteceu três vezes —, sinto que, apesar de toda a dor, desconforto e sujeira, sou dona de um segredo só meu, e é por isso que, embora de certo modo não passe de um período aborrecido, anseio pelo tempo em que sentirei dentro de mim aquele segredo.
Sis Heyster escreve também que, nessa idade, as jovens se sentem inseguras de si mesmas ao descobrirem que possuem individualidade, idéias, sentimentos e hábitos próprios. Quando vim para cá, aos catorze anos, comecei a pensar em mim mesma mais cedo que as outras jovens, e a perceber que eu era uma "pessoa". Às vezes, deitada na cama, à noite, sinto um desejo terrível de apalpar meus seios e escutar as batidas calmas e rítmicas de meu coração.
Antes de vir para cá, eu já havia tido, subconscientemente, sentimentos semelhantes, pois lembro-me de que uma vez, ao dormir com uma amiga, senti forte desejo de beijá-la, e beijei mesmo. Sentia-me curiosíssima a respeito de seu corpo, que ela sempre escondera de mim. Perguntei-lhe se, como prova de amizade, poderíamos apalpar os seios uma da outra, mas ela recusou. Fico extasiada cada vez que vejo a figura nua de uma mulher, como Vênus, por exemplo. Sinto-me atraída por tanta maravilha e mal posso conter as lágrimas que rolam pelo meu rosto.
Se eu ao menos tivesse uma amiga!

Sua Anne.










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