terça-feira, 27 de junho de 2017

Quarta-feira, 12 de janeiro de 1944

       


Querida Kitty


Há quinze dias que Elli voltou. Miep e Henk não compareceram ao trabalho durante dois dias, ambos com problemas de estômago.
No momento, minha mania é dança e balé. Todas as noites treino novos passos de dança. Fiz um vestido de baile bem avançado, aproveitando uma saia azul-clara com barra rendada que era de Mums. Em volta do decote passa uma fita que dá um lacinho no centro. Um cordãozinho cor-de-rosa dá o último toque à criação. Tentei transformar meus sapatos de ginástica em verdadeiras sapatilhas de balé, mas em vão. Minhas juntas estão bastante endurecidas, mas aos poucos vão-se tornando mais flexíveis, como eram antes. Há um exercício dificílimo, que consiste em sentar-se no chão, segurar um calcanhar em cada mão e, depois, levantar as duas pernas para o ar. Tenho que me sentar sobre almofadas, caso contrário meu pobre traseiro sofre as conseqüências.
Todos aqui estão lendo um livro chamado Cloudless Morn. Mamãe achou-o excepcionalmente bom. Aborda muitos dos problemas da juventude. Pensei, com alguma ironia: "Por que não se preocupa com suas próprias filhas, primeiro?"
Acho que mamãe pensa que não pode haver melhor relacionamento entre pais e filhos e que ninguém se interessa tanto pela vida dos filhos quanto ela. Mas, definitivamente, ela só enxerga Margot em sua frente, e ela, na minha opinião, jamais teve tantos problemas como eu. Mas nem em sonhos eu penso em mostrar a mamãe que, no caso de suas filhas, nem tudo é como ela pensa, porque isso a deixaria francamente abismada. De qualquer forma, ela não saberia modificar as coisas. Prefiro poupar-lhe a tristeza que a verdade lhe causaria, especialmente por saber que, para mim, tudo continuaria na mesma.
Certamente mamãe deve sentir que Margot gosta muito mais dela do que eu, mas pensa que é apenas uma questão de fase! Margot está muito boazinha, bem diferente do que era. Não é mais tão implicante e está ficando amiga de verdade. Também já não me considera uma criancinha que não se leva em consideração.
Às vezes, ainda que pareça estranho, consigo ver a mim mesma como se fosse através dos olhos de outra pessoa. Então, fico à vontade para observar as atitudes de uma certa Anne. Vasculho as páginas de sua vida como se ela fosse uma estranha. Antes de vir para cá, quando eu ainda não pensava nas coisas tanto como agora, às vezes tinha a impressão de não pertencer a Mums, Pim e Margot, achando que nunca passaria de uma espécie de intrusa naquela casa. Outras vezes, fingia ser órfã, e cheguei até a me repreender dizendo a mim mesma que eu era a única culpada de andar representando um papel daqueles, cheia de pena de mim mesma quando, na realidade, era uma garota de sorte. Veio, então, o tempo em que me obrigava a ser amável. Todas as manhãs, quando alguém descia, eu esperava que fosse mamãe que viesse me dar bom-dia; cumprimentava-a com carinho, pois o que desejava mesmo era que ela me olhasse com amor. Então, ela me fazia qualquer observação em tom áspero, e lá ia eu para a escola sentindo-me mal-amada. Na volta para casa, inventava desculpas para sua atitude, atribuindo-a às suas muitas preocupações. Chegava a casa muito alegre, falava pelos cotovelos até perceber que estava repetindo minhas próprias palavras; saía, então, da sala com uma expressão pensativa e a sacola debaixo do braço. Outras vezes, resolvia ficar emburrada, mas tinha sempre tantas novidades para contar, quando chegava da escola, que minhas resoluções iam por água abaixo, e mamãe, mesmo ocupada, era obrigada a ouvir minhas aventuras. Depois, voltou outra vez o tempo em que eu não ficava mais à espera de passos na escada e que meu travesseiro, todas as noites, ficava molhado de lágrimas.
Ao chegar a esse ponto, tudo foi ficando pior; enfim, você está por dentro de tudo...
Agora Deus mandou alguém para me ajudar: Peter. Seguro meu medalhão, beijo-o e penso: "Pouco me importam os outros. Peter é meu, e ninguém sabe". Assim consigo abstrairme de todos os trancos que recebo.
Quem poderia imaginar a quantidade de coisas que se passam na alma de uma jovenzinha?

Sua Anne.










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